Tulio Malaspina

Tulio Kengi Malaspina é formado em Comunicação Social com especialização em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-SP), têm diversos cursos voltados à redes digitais e sustentabilidade em instituições como ESPM, JumpEducation, São Paulo Digital School, Comunique-se, Escola de Ativismo e UMAPAZ. Já ministrou diversas palestras sobre comunicação e sustentabilidade em universidades como Unesp, Mackenzie, Ufscar e Unimep.

Trabalha como consultor de inteligência em engajamento e redes digitais, desenvolvendo e compartilhando modelos, técnicas e processos visando o aumento da efetividade de campanhas e projetos sociais voltados para a sustentabilidade. Seu trabalho é gerar insights a partir da coleta de dados e informações, buscando compreender as mecânicas entre o relacionamento das pessoas e o tema, facilitando assim a criação de estratégias que potencializem as interações e os resultados.

É fundador do laboratório de inteligência em engajamento e redes digitais SustentaLab, sócio no Coletivo Verde, editor no Atitude Eco, colaborador na Escola de Ativismo e sócio fundador da Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade (Abraps).

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Posts tagged "democracia"

Primaveras" é um projeto que busca estimular o pensamento e o debate sobre dilemas que nos inquietam. O objetivo é que, ao somar vozes, possamos encontrar também soluções e formas de ação.

As rodas de conversa mensais são sediadas na Matilha Cultural, em São Paulo, mas estarão sempre acessíveis na web pelo site #PosTV (postv.org)

O coletivo que forma o Primaveras é formado por: Cineclube Socioambiental Crisantempo, Circuito Fora do Eixo, Escola de Ativismo, Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), Matilha Cultural, o ponto de cultura Outras Palavras e a revista Página22. 

Os encontros são realizados na Matilha Cultural (Rua Rêgo Freitas, 542) e transmitidos ao vivo pela Pós TV (http://postv.org/).
Próximos encontros: 

13/NOV/2012, 19h
Ativismo e Política: Distraídos venceremos?

13/DEZ/2012, 19h
Alternativas ao Direito Autoral: como garantir o conhecimento livre e a remuneração dos criadores

Democracia: Nunca vi nem vivi, só ouço falar.

(via anonymous-revolutionary-deactiv)

Grupo tem apoio de 10% dos eleitores. Ainda sem propostas para crise econômica, ele avança defendendo internet livre, transparência na política e lógicas de cooperação

Por William Bostom, no WSJ, reproduzido também no blog do Nassif

O Partido Pirata, um grupo vagamente organizado de ativistas digitais, está fincando um pé nas assembleias legislativas dos Estados daqui, sacudindo a sóbria classe política alemã.

O Pirata acredita em compartilhamento de arquivos, privacidade on-line e democracia digital, mas sua plataforma não tem políticas para os principais problemas do momento, como a crise de dívida da zona do euro. Só que isso não está impedindo que eles avancem.

Cerca de 10% dos eleitores alemães apoiam o partido, de acordo com pesquisas de opinião. Eles devem ganhar cadeiras em duas importantes assembleias estaduais no início de maio, inclusive a do Estado mais populoso da Alemanha, o de Renânia do Norte-Vestfália. Uma votação alta nessas eleições regionais poderia colocar os piratas no caminho de uma verdadeira façanha: cadeiras no parlamento federal do país, nas próximas eleições nacionais.

“Os tremores serão sentidos daqui até Berlim” se o Pirata entrar na assembleia de Renânia do Norte-Vestfália, diz Joachim Paul, o principal candidato do partido na região.

A ascensão desse movimento está complicando a vida dos partidos estabelecidos da Alemanha, que podem ter dificuldades para formar as coalizões majoritárias de costume nos âmbitos estadual e nacional, se a popularidade do Pirata se mostrar duradoura.

“Se eles conseguirem entrar em Renânia do Norte-Vestfália, as chances de entrarem no parlamento federal não serão tão ruins”, diz Oskar Niedermayer, um cientista político da Universidade Livre, de Berlim.

Os piratas representam um “novo estilo” na política da Alemanha, diz Niedermayer. O objetivo declarado do partido é trazer a revolução digital para a política, tornando o governo mais transparente e acessível. Eles conquistaram a imaginação da geração Facebook, assim como de eleitores menos afeitos à tecnologia, mas desiludidos com os políticos apáticos dos partidos dominantes da Alemanha.

“O que todos nós temos em comum é o desejo de ser ativo na democracia das massas”, diz Kai Hemsteeg, que tem 30 anos e é investigador de polícia. Ele era um funcionário local do partido conservador da chanceler Angela Merkel, o União Democrática Cristã, mas diz que os piratas são mais abertos à participação.

O Partido Pirata foi fundado em 2006 no porão de uma casa noturna chamada C-Base, um ponto de encontro dos amantes da tecnologia. Ele é parte de um movimento internacional que começou na Suécia, cuja principal causa é o livre compartilhamento de arquivos on-line, inclusive através de leis de direitos autorais mais brandas. Dos cerca de 50 partidos Piratas ao redor do mundo, nenhum teve o mesmo impacto eleitoral que o alemão.

A tacada decisiva dos piratas alemães aconteceu em setembro, quando eles ganharam quase 9% dos votos, e 15 das 149 cadeiras, nas eleições estaduais de Berlim. Eles voltaram à carga mês passado, ao ganhar 4 das 51 cadeiras da Assembleia Legislativa do Estado de Sarre. Agora, os piratas pretendem repetir o feito em 6 de maio na região de Schleswig-Holstein, no norte, e em 13 de maio no coração industrial da Alemanha, Renânia do Norte-Vestfália.

Os piratas vêm roubando eleitores dos democratas livres, que são pró-mercado, agravando a crise que se abate sobre o mais novo integrante da coalizão de centro-direita de Angela Merkel. As pesquisas de opinião mostram que o partido Democrata Livre está penando para atingir a marca de 5% necessária para ganhar cadeiras na assembleia de Renânia do Norte-Vestfália, e podem até ficar de fora do parlamento nacional no ano que vem.

Os piratas também estão prejudicando o partido Verde, de centro-esquerda, que antigamente exibia o mesmo espírito rebelde, mas depois se tornou parte do sistema. O líder dos verdes, Jürgen Trittin, diz que os piratas são “o problema estrutural mais sério” do seu partido.

Joachim Drell, candidato dos verdes em Essen, diz que receia que a ascensão dos piratas vá impedir o seu partido e o Social-Democrata de ganharem uma maioria de centro-esquerda em Renânia do Norte-Vestfália. “O Pirata é um partido de protesto com alguns pontos válidos, mas um programa muito vago, e isso o torna difícil de enfrentar”, diz Drell.

Os piratas admitem que eles precisam de políticas. “Nós somos definitivamente um partido em formação”, diz Paul, o líder regional do Pirata.

Num encontro recente dos piratas em Essen, os membros debateram como responder perguntas da imprensa sobre assuntos para os quais o partido ainda não tem uma posição definida. “Nós temos que ser honestos: nós temos que dizer somente que nós não sabemos ainda qual é a nossa posição”, diz Matthias Bock, um estudante de pós-graduação e candidato pelo Pirata.

Bock tem, sim, uma ideia sobre o que fazer a respeito do forte endividamento de Renânia do Norte-Vestfália se for eleito para o parlamento estadual. Ele quer que a inteligência coletiva da comunidade encontre soluções para o déficit orçamentário via “crowdsourcing”. Há sigilo demais em torno dos dados dos 490 municípios do Estado, diz ele. “Estou lutando para publicar esses dados”, diz ele, levantando os olhos de seu laptop.

Embora a imagem pública do Partido Pirata seja o de um grupo de nerds do sexo masculino, isso está mudando à medida que cresce o apoio ao partido. A agremiação está diante de seu primeiro desafio interno: a ala jovem reclama que o partido está dominado por homens brancos com laptops e que precisa integrar melhor mulheres e minorias.

O cineasta Fernando Meirelles, produtor do Xingu, foi contundente em suas afirmações ao longo da série de entrevistas sobre o filme: “O que eu acho que vale ressaltar do filme é como ele é atual. Vindo para cá, eu li no jornal que o Megaron Txucarramãe, que era coordenador da Funai no norte do Mato Grosso, tinha sido demitido porque tem uma posição contrária a Belo Monte (outubro de 2011). É a história do filme, da Transamazônica, se repetindo. O filme não poderia ser mais atual, nesse momento em que Belo Monte e o Código Florestal são assuntos muito fortes”. E, mais tarde: “Eu, pessoalmente, acho que Belo Monte é um dos maiores erros atuais. A gente está construindo usinas basicamente para poder aumentar a produção de alumínio. Vai comprometer toda aquela área pra produzir mais alumínio. É esse o progresso que queremos?”.

Em outra manifestação, Fernando Meirelles foi ainda mais direto: “A Transamazônica do filme é a Belo Monte de hoje. Aquele deputado de terninho é a Kátia Abreu (senadora da bancada ruralista pelo PSD/TO). Isso está muito claro”. No filme, há ainda um militar que é a cara desse governo no trato de Belo Monte e das questões ambientais. Só não gritei – “Nossa, é a Dilma Rousseff!” – porque faço uma campanha persistente pelo silêncio no cinema. Quando Orlando Villas Bôas tenta explicar que a Transamazônica vai passar por cima dos Kren Akarore, uma etnia isolada, o militar declara: “Limpe o caminho. Mas tem que ser rápido”.

Há de se eliminar aquilo que “atravanca” o progresso ontem, o desenvolvimento hoje – tirar da frente, custe o que custar. “Resolver”. E rápido. Como a História mostrou, dos 600 Kren Akarore restaram 79 depois da abertura da Transamazônica. Ou seja: o efeito da Transamazônica, apenas sobre uma única etnia indígena, foi um genocídio de mais de 500 seres humanos. E a Transamazônica até hoje é uma picada intrafegável boa parte do ano, apelidada por onde passa de “Transamargura”. As obras de Belo Monte começaram – sem o cumprimento das condicionantes ambientais – e o estrago já é visível.

Entre os desafios que um futuro biógrafo enfrentará ao contar a vida e a obra de Dilma Rousseff está o seguinte paradoxo: como uma mulher que entrou na clandestinidade, pegou em armas para lutar contra o autoritarismo e pagou pela sua coerência o preço altíssimo de ter sido torturada vira uma ministra, primeiro, uma presidente depois, que, em se tratando de políticas para a Amazônia e o meio ambiente, incorpora – e o pior, implanta – a mesma visão da ditadura militar que combateu. De novo, estamos de volta ao Brasil Grande que pensa pequeno – mas em plena democracia e numa imprensa sem censura oficial. Acho o paradoxo fascinante do ponto de vista humano, mas um desastre para o país.

Talvez, hoje, a presidente Dilma Rousseff passasse um pito na guerrilheira Dilma Rousseff: “Não há espaço para a fantasia”. E imediatamente esquecesse que foi essa “fantasia” que tornou possível não só a própria democracia, mas a ascensão de um operário à presidência do Brasil. E também a tudo o que veio depois – inclusive ela. Foi essa mesma frase, em minha opinião a mais infeliz de sua trajetória como presidente, possivelmente de sua vida, que Dilma Rousseff declarou aos ambientalistas que combatem Belo Monte, no início de abril, afirmando que não mudará sua política de “desenvolvimento” para a Amazônia. O que nos faz concluir que, diante dos Irmãos Villas Bôas, os indigenistas de ontem, Dilma Rousseff só poderia dizer o mesmo que diz para os indigenistas de hoje: “Não há espaço para a fantasia”.

Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim.
Millôr Fernandes